quarta-feira, 28 de março de 2012
Despertar em si
Seu corpo criara consciência, já que a dele própria havia emudecido. Vítima do arco-íris monocromático do sistema capitalista-consumista. Vítima do teclado com uma só tecla. Vítima de um conjunto de cabeças que davam apenas ordens e não pensavam. Um território onde a arte era apenas resquício da insanidade.
(...)
Parado, e em uma situação que parecia deplorável, abraçava seus próprios joelhos. Percebera que ali seu tempo era infinito, e que trocaria todas suas conquistas profissionais por mais tempo consigo. A verdade não era promovida pelas jornais e pelos folhetins.
(...)
As formas molhadas pareciam vivas e dinâmicas. As cores se misturavam formando desenhos belos e espectros lindamente abstratos. Olhava como quem não se importasse com o presente. A dança das cores era seu resultado, mesmo que involuntário.
O início
Então ao colocar o dedo na garganta, não só veio o vômito famigerado por horas, como também as lascas coloridas de sentimentos que outrora pareciam estar perdidas dentro daquele corpo cinza e temperadamente pálido.
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